Itauna

Mai
16

O Simbolismo
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Origens:
E.U.A.
Edgar Allan Poe (1809 a 1849):

Poeta, contista, novelista, ensaísta e crítico literário estadunidense cuja obra, apesar de apresentar-se dentro do contexto do Romantismo, engloba traços de Ultrarromantismo, Realismo, Simbolismo e Modernismo. Poe criou o conto e a novela de suspense/mistério policial e reformulou o conto de terror, mistério e morte, influenciado pelo horror sobrenatural dos romances negros/góticos do século XVIII.

Poemas de Edgar Allan Poe:



Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.


A Cidade do Mar

Olhai! a Morte edificou seu trono
numa estranha cidade solitária 
por entre as sombras do longínquo oeste. 
Lá, os bons, os maus, os piores e os melhores, 
foram todos buscar repouso eterno. 
Seus monumentos, catedrais e torres 
(torres que o tempo rói e não vacilam!) 
em nada se parecem com os humanos. 
E em volta, pelos ventos olvidadas, 
olhando o firmamento, silenciosas 
e calmas, dormem águas melancólicas.

Ah! luz nenhuma cai do céu sagrado 
sobre a cidade, em sua imensa noite. 
Mas um clarão que vem do oceano lívido 
invade dos torreões, silentemente, 
e sobe, iluminando capitéis, 
pórticos régios, cúpulas e cimos, 
templos e babilônicas muralhas; 
sobe aos arcos templos magníficos, sem conta, 
onde os frios se enroscam e entretecem 
de vinhedos, violetas, sempre-vivas.

Olhando o firmamento, silenciosas, 
calmas, dormem as águias melancólicas. 
Torreões e sombras tanto se confundem 
que é tudo como solto nos espaços. 
E a Morte, do alto de soberba torre, 
contempla, gigantesca, o panorama. 
Lá, os sepulcros e os templos se escancaram 
mesmo ao nível das águas luminosas; 
mas não pode a riqueza portenhosa 
dos ídolos com olhos de diamante, 
nem das jóias que riem sobre os mortos, 
tirar as vagas de seu leito imóvel; 
pois, ai! nem leve movimento ondula 
esse imenso deserto cristalino! 
Nem ondas falam de possíveis ventos 
sobre mares distantes, mais felizes;
ondas não contam que existiram ventos 
em mar de menos espantosa calma.

Mas, vede! Um frêmito percorre os ares. 
Uma onda... Fez-se ali um movimento! 
e dir-se-ia que as torres vacilaram 
e afundaram de leve na água turva, 
abrindo com seus cumes, debilmente, 
um vazio nos céus enevoados. 
As ondas têm, agora, luz mais rubra,
as horas fluem, lânguidas e fracas.
E quando, entre gemidos sobre-humanos, 
a cidade submersa for fixar-se no fundo, 
o Inferno, erguido de mil tronos,
curvar-se-á, reverente.


Um Sonho num Sonho

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia 
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?

Lenora

Ah! foi partida a taça de ouro! o espírito fugiu!
Que dobre o sino! Uma alma santa já cruza o Estígio rio! 
E tu não choras, Guy de Vere? Venha teu pranto agora,
ou nunca mais! No rude esquife jaz teu amor, Lenora!
Leiam-se os ritos funerários e o último canto se ouça,
um hino à rainha dentre as mortas, a que morreu mais moça.
E duplamente ela morreu, por que morreu tão moça!

"Pela riqueza a amastes, míseros, o seu orgulho odiando,
e, doente, a bendissestes, quando a morte ia chegando.
E como, então, lereis o rito? Os cantos de repouso
entoareis vós, olhar do mal? Vós, o verbo aleivoso,
que o fim trouxestes à existência tão jovem da inocência?"

Peccavimus; mas não se irrites! O réquiem tão solene
e embalador ascenda aos céus, que a morta já não pene!
Para aguardar-te ela se foi, tendo ao lado a Esperança
e tu ficaste, louco e só, chorando a noiva criança,
meiga e formosa, que ali jaz, magnífica, sem par,
com a vida em seus cabelos de ouro, mas não em seu olhar,
com a vida em seus cabelos, sim, e a morte em seu olhar.

"Ide! Meu coração não pesa! Sem canto funeral,
quero seguir o anjo em seu vôo com um velho hino triunfal.
Não dobre mais o sino! que a alma em seu prazer sagrado
não o ouça, triste, ao ir deixando o mundo amaldiçoado.
Ela se arranca aos vis demônios da terra e sobe aos céus.
Do inferno, à altura se conduz e lá, na luz dos céus,
livre do mal, da dor, se assenta num trono, aos pés de Deus!"

França:
Charles Baudelaire

Obsessão

Bosques, encheis de susto como as catedrais, 
Como os órgãos rugis; e em corações malditos, 
Quartos de terno luto e choros ancestrais, 
Todos sentem ecoar vossos fúnebres gritos. 

Eu te odeio, oceano! e com os teus tumultos, 
Já que és igual a mim! Pois este riso amargo 
Do homem a soluçar, todo sombras e insultos,
Eu o escuto no riso enorme do mar largo. 


Como serias bela, ó noite sem estrelas, 
Que os astros falam sempre claro em sua luz! 
Busco o infinito negro e os precipícios nus! 

Porém as trevas são elas próprias as telas, 
Em que surgem, a vir de meu olho, aos milhares, 
Seres vindos do além de rostos familiares.


E outro poetas tais como Stéphane Mallarmé (o patriarca da Escola), Arthur Rimbaud (considerado o seu iniciador ao lado de Baudelaire), Jean Moréas (o seu "portae-standarte"), Villiers de L'Isle, Paul Verlaine, Albert Samain, Jules Laforgue, Edouard Dujardin, Gustave Kahn, René Ghil, Stuart Merril, Henri de Régnier, Paul Claudel, Francis Jammes, Paul Valéry, Remy de Gourmand, Paul Fort.

Arte Poética
Paul-Marie Verlaine (Tradução de Augusto de Campos)

Antes de tudo, a música preza
portanto, o ímpar. Só cabe usar
o que é mais vago e solúvel no ar
sem nada em si que pousa ou que pesa.

Escolher palavras é preciso,
mas com certo desdém pela pinça;
nada melhor do que a canção cinza
onde o indeciso se une ao preciso.

uns belos olhos atrás do véu,
o lusco-fusco no meio-dia
a turba azul de estrelas que estria
o outono agônico pelo céu!

pois a nuance é que leva a palma,
nada de cor, somente a nuance!
nuance, só, que nos afiance
o sonho ao sonho e a flauta na alma!

foge do chiste, a farpa mesquinha,
frase de espírito, riso alvar,
que olhe do azul faz lacrimejar,
alho plebeu de baixa cozinha!

a eloquência? torce-lhe o pescoço!
e convém empregar de uma vez
a rima com certa sensatez
ou vamos todos parar no fosso!
quem nos dirá dos males da rima!
que surdo absurdo ou que negro louco
forjou em jóia este toco oco
que soa falso e vil sob a lima?

música ainda e eternamente!
que teu verso seja o vôo alto
que se desprende da alma no salto
para outros céus e para outra mente.

que teu verso seja a aventura
esparsa ao árdego ar da manhã
que enche de aroma ótimo e a hortelã...
e todo o resto é literatura.

(Fonte: www.recantodasletras.com.br)


Brasil:
No Brasil, os principais Simbolistas foram: Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimarães, Pedro Kilkerry, Virgílio Várzea, Dário Veloso e Álvaro Moreira.

Limites
- 1893: “Missal” (poemas em prosa) e “Broqueis”, de Cruz e Sousa.
- 1922: Semana de Arte Moderna.

Contexto Histórico
- O mesmo do Realismo e Parnasianismo, mais: Decadentismo, Belicismo (paz armada), difusão do Espiritismo, Psicanálise de Freud e Jung, 1ª Guerra Mundial, Gripe Espanhola.

Características
- Tradição Dionisíaca (Romântica);
- Retorno aos valores do Ultrarromantismo, do Barroco e da Literatura Medieval (Trovadorismo), sem abandonar de todo o formalismo típico do Parnasianismo;
- Subjetividade: enxerga a realidade não como ela é, mas como o indivíduo a idealiza;
- Onirismo / devaneio: valorização do sonho, do pesadelo, da fantasia, do fantástico, do maravilhoso e da imaginação;
- Misticismo, espiritualismo, transcendentalismo, religiosidade e existencialismo: poesia metafísica;
- Melodia e musicalidade: Obsessão pela música, instrumentos musicais, sons e referências à musica;
- Memento mori: “lembre-se de morrer”, obsessão pelo tema da morte, morbidez, atmosfera triste, melancólica, sombria e lúgubre que evoca as imagens sinistras da morte, do horror sobrenatural, do gótico medieval, do neogótico barroco e imagens satânicas;
- Conflito existencial: dor de existir, medo, horror, pessimismo e angústia diante da morte;
- Conflito entre corpo e espírito;
- Sensorialismo: sinestesias – cruzamento de dois ou mais sentidos num verso, estrofe ou frase (visão, audição, tato, olfato, paladar);
- Uso de figuras sonoras: aliterações (repetição de consoantes), assonâncias (repetição de vogais), ecos, paronomásias (jogos com sílabas ou vocábulos, reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes):
Exemplo de paronomásia:

"Berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe."

- Frase musical ou nominal: são frases ou estrofes sem verbo;
- Fantasmagoria: visões espectrais, fantasmas, espíritos, alucinações, imagens satânicas ou que evocam o horror sobrenatural;
- Locus horrendus (lugar horrível, feio, sombrio e que provoca horror): cemitérios, catacumbas, mausoléus, túmulos, casarões/mansões/castelos/solares assombrados, abandonados ou em ruínas, florestas escuras, cavernas, grutas, prisões, masmorras, câmaras de tortura, porões, pântanos;
- Individualismo, solidão;
- Formalismo parnasiano: preferência por composições de forma fixa (sonetos Decassílabos e Alexandrinos);
- Quietismo contemplativo: inércia, meditação, abstração, sensorialismo e visão da vida como um desassossego passageiro;
- Erotismo sensual lírico: visão da mulher como anjo/diabo, visão da mulher como um ser de beleza quase sempre superior a da natureza, amor e morte, amor e desejo / paixão, amor = sofrimento, o pecado como salvação (mulher serpente)
- Cromatismo: obsessão por cores, o jogo das cores;
- Palavras = símbolos e movimentos criadores no ar;
- Uso de maiúsculas alegorizantes: palavras grafadas com inicial maiúscula que amplificam o significado simbólico contextualizado no tema do texto;
- Busca pelo Absoluto, o contato com as esferas mais altas do conhecimento e da evolução espiritual;
- Medievalismo e Ultrarromantismo: resgate de valores medievais e românticos “mal-do-século”;
- Valorização do vago e do indefinido (sugestão);
- Fusão entre o sujeito e o objeto: fusão do eu com o todo, com o cosmo;
- Predominância dos elementos AR e ÁGUA e de palavras que evocam tais elementos alegoricamente;
- Memorialismo emotivo, sentimental;

Cruz e Sousa

- Obsessão pela cor branca;
- Visão da vida como um emparedamento (uma prisão);
- Erotismo e misticismo;
- Frases nominais: estrofes harmônicas;
- Dor de existir (a questão do preconceito).

Alphonsus de Guimarães

- Obsessão pelo tema da morte de jovens mulheres no auge da beleza;
- Imagens de tons cinzas, brancos e pretos;
- Referência obsessiva à morte da prima (Constança – morta na flor da mocidade);
- Misticismo e religiosidade (considerado o poeta mais místico da literatura brasileira).

Poemas simbolistas:
MÚMIA (Cruz e Sousa)

Múmia de sangue e lama e terra e treva, 
Podridão feita deusa de granito, 
Que surges dos mistérios do Infinito 
Amamentada na lascívia de Eva. 

Tua boca voraz se farta e ceva 
Na carne e espalhas o terror maldito, 
O grito humano, o doloroso grito 
Que um vento estranho para os limbos leva. 

Báratros, criptas, dédalos atrozes 
Escancaram-se aos tétricos, ferozes 
Uivos tremendos com luxúria e cio... 

Ris a punhais de frígidos sarcasmos 
E deve dar congélidos espasmos 
O teu beijo de pedra horrendo e frio!... 

LUBRICIDADE (Cruz e Sousa)

Quisera ser a serpe venenosa 
Que dá-te medo e dá-te pesadelos 
Para envolver-me, ó Flor maravilhosa, 
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos. 

Quisera ser a serpe veludosa 
Para, enroscada em múltiplos novelos, 
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa 
E babujá-los e depois mordê-los... 

Talvez que o sangue impuro e flamejante 
Do teu lânguido corpo de bacante, 
Da langue ondulação de águas do Reno 

Estranhamente se purificasse... 
Pois que um veneno de áspide vorace 
Deve ser morto com igual veneno... 

BRAÇOS (Cruz e Sousa)

Braços nervosos, brancas opulências, 
Brumais brancuras, fúlgidas brancuras, 
Alvuras castas, virginais alvuras, 
Lactescências das raras lactescências. 

As fascinantes, mórbidas dormências 
Dos teus abraços de letais flexuras, 
Produzem sensações de agres torturas, 
Dos desejos as mornas florescências. 

Braços nervosos, tentadoras serpes 
Que prendem, tetanizam como os herpes, 
Dos delírios na trêmula coorte... 

Pompa de carnes tépidas e flóreas, 
Braços de estranhas correções marmóreas, 
Abertos para o Amor e para a Morte! 

NOIVA DA AGONIA (Cruz e Sousa)

Trêmula e só, de um túmulo surgindo, 
Aparição dos ermos desolados, 
Trazes na face os frios tons magoados 
De quem anda por túmulos dormindo... 

A alta cabeça no esplendor, cingindo 
Cabelos de reflexos irisados, 
Por entre auréolas de clarões prateados, 
Lembras o aspecto de um luar diluindo... 

Não és, no entanto, a torva Morte horrenda, 
Atra, sinistra, gélida, tremenda, 
Que as avalanches da Ilusão governa... 

Mas ah! és da Agonia a Noiva triste 
Que os longos braços lívidos abriste 
Para abraçar-me para a Vida eterna! 

SATÃ (Cruz e Sousa)

Capro e revel, com os fabulosos cornos 
Na fronte real de rei dos reis vetustos, 
Com bizarros e lúbricos contornos, 
Ei-lo Satã dentre os Satãs augustos. 

Por verdes e por báquicos adornos 
Vai c'roado de pâmpanos venustos 
O deus pagão dos Vinhos acres, mornos, 
Deus triunfador dos triunfadores justos. 

Arcangélico e audaz, nos sóis radiantes, 
A púrpura das glórias flamejantes, 
Alarga as asas de relevos bravos... 

O Sonho agita-lhe a imortal cabeça... 
E solta aos sóis e estranha e ondeada e espessa 
Canta-lhe a juba dos cabelos flavos! 

BELEZA MORTA (Cruz e Sousa)

De leve, louro e enlanguescido helianto 
Tens a flórea dolência contristada... 
Há no teu riso amargo um certo encanto 
De antiga formosura destronada. 

No corpo, de um letárgico quebranto, 
Corpo de essência fina, delicada, 
Sente-se ainda o harmonioso canto 
Da carne virginal, clara e rosada. 

Sente-se o canto errante, as harmonias 
Quase apagadas, vagas, fugidias 
E uns restos de clarão de Estrela acesa... 

Como que ainda os derradeiros haustos 
De opulências, de pompas e de faustos, 
As relíquias saudosas da beleza.


VISÃO DA MORTE (Cruz e Sousa)

Olhos voltados para mim e abertos 
Os braços brancos, os nervosos braços, 
Vens d'espaços estranhos, dos espaços 
Infinitos, intérminos, desertos... 

Do teu perfil os tímidos, incertos 
Traços indefinidos, vagos traços 
Deixam, da luz nos ouros e nos aços, 
Outra luz de que os céus ficam cobertos. 

Deixam nos céus uma outra luz mortuária, 
Uma outra luz de lívidos martírios, 
De agonias, de mágoa funerária... 

E causas febre e horror, frio, delírios, 
Ó Noiva do Sepulcro, solitária, 
Branca e sinistra no clarão dos círios! 

SERPENTE DE CABELOS (Cruz e Sousa)

A tua trança negra e desmanchada 
Por sobre o corpo nu, torso inteiriço, 
Claro, radiante de esplendor e viço, 
Ah! lembra a noite de astros apagada. 

Luxúria deslumbrante e aveludada 
Através desse mármore maciço 
Da carne, o meu olhar nela espreguiço 
Felinamente, nessa trança ondeada. 

E fico absorto, num torpor de coma, 
Na sensação narcótica do aroma, 
Dentre a vertigem túrbida dos zelos. 

És a origem do Mal, és a nervosa 
Serpente tentadora e tenebrosa, 
Tenebrosa serpente de cabelos!... 

OSSA MEA (Alphonsus de Guimarães)
II

Mãos de finada, aquelas mãos de neve,
De tons marfíneos, de ossatura rica,
Pairando no ar, num gesto brando e leve,
Que parece ordenar, mas que suplica.

Erguem-se ao longe como se as eleve
Alguém que ante os altares sacrifica:
Mãos que consagram, mãos que partem breve,
Mas cuja sombra nos meus olhos fica...

Mãos de esperança para as almas loucas,
Brumosas mãos que vêm brancas, distantes,
Fechar ao mesmo tempo tantas bocas...

Sinto-as agora, ao luar, descendo juntas,
Grandes, magoadas, pálidas, tateantes,
Cerrando os olhos das visões defuntas...

X (Alphonsus de Guimarães)

Hirta e branca... Repousa a sua áurea cabeça
Numa almofada de cetim bordada em lírios.
Ei-la morta afinal como quem adormeça
Aqui para sofrer Além novos martírios.

De mãos postas, num sonho ausente, a sombra espessa
Do seu corpo escurece a luz dos quatro círios:
Ela faz-me pensar numa ancestral Condessa
Da Idade Média, morta em sagrados delírios.

Os poentes sepulcrais do extremo desengano
Vão enchendo de luto as paredes vazias,
E velam para sempre o seu olhar humano.

Expira, ao longe, o vento, e o luar, longinquamente,
Alveja, embalsamando as brancas agonias
Na sonolenta paz desta Câmara-ardente...

VIII (Alphonsus de Guimarães)

Quando chegaste, os violoncelos
Que andam no ar cantaram hinos.
Estrelaram-se todos os castelos,
E até nas nuvens repicaram sinos.

Foram-se as brancas horas sem rumo.
Tanto sonhadas! Ainda, ainda
Hoje os meus pobres versos perfumo
Com os beijos santos da tua vinda.

Quando te foste, estalaram cordas
Nos violoncelos e nas harpas...
E anjos disseram : – Não mais acordas,
Lírio nascido nas escarpas!

Sinos dobraram no céu e escuto
Dobres eternos na minha ermida.
E os pobres versos ainda hoje enluto
Com os beijos santos da despedida.

XXXIII
ISMÁLIA (Alphonsus de Guimarães)

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

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Escrito por Fera do Losango.

Mai
16

Pergunte ao professor do Anglo
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imagemO Anglo Vestibulares e o site Guia do Estudante firmaram uma parceria que vai beneficiar todos os internautas ligados nos principais processos seletivos do Brasil.
Clique aqui acessar a página do especial.

No site especializado em vestibulares foi criada a seção “Pergunte ao professor”, onde os leitores podem enviar dúvidas, que são respondidas rapidamente pelos professores do Anglo Vestibulares. A página deixa visível as questões abordadas pelos internautas e ainda lista as perguntas mais frequentes.

Para acessar a página e mandar a sua dúvida, basta acessar o site do Guia do Estudante - www.guiadoestudante.com.br ou pelo link direto do especial.
Participe!

Fonte: Imprensa / Anglo

Escrito por Fera do Losango.

Mai
15

15 de maio - Dia da família!
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cartazdiadafamiliared

Escrito por Fera do Losango.

Mai
14

Momento Cívico - Homenagem aos trabalhadores e mães
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PICT0034A professora Heuziene e os estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental I foram os artistas do momento cívico do dia 10 de maio. As crianças homenagearam os trabalhadores (1º de maio), e as mães (13 de maio).

Parabéns pela apresentação, crianças! Vocês são feras! Show!

Clique aqui e veja imagens da homenagem.

Escrito por Fera do Losango.

Mai
14

Manhã Cultural
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IMG00424Na quarta-feira, 09 de maio, nossos estudantes assistiram a um show de superação que os alunos da APAE e os professores EriK (música), Filhote e Michel (capoeira) apresentaram.

Um espetáculo! Nossos alunos entraram no ritmo e "mandaram bem" na capoeira.

Confira as fotos.

Escrito por Fera do Losango.

Mai
08

Homenagem do Colégio Anglo pelo Dia das Mães
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Captura_de_tela_inteira_07052012_204911

Escrito por Fera do Losango.

Mai
04

Professora participa de Congresso Internacional
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PROF._CLUDIA_HELENAA professora de redação, Cláudia Helena participou do V Congresso Internacional “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”, realizado nos dias 28 e 29 de abril no SESC Palladium e Dayrell Hotel, em Belo Horizonte.

De acordo com a professora o evento trouxe grande aprendizado e experiências inovadoras que contribuirão para a realização de seu trabalho. O curso fez parte do I Seminário Internacional de Educação Infantil.

Escrito por Fera do Losango.